Os maiores laticínios do Brasil podem representar boas oportunidades para transportadoras que desejam diversificar seus clientes. Afinal, a indústria de leite e derivados precisa movimentar produtos entre fazendas, fábricas, centros de distribuição e varejistas.
Entretanto, esse setor exige atenção. O transporte de leite cru, por exemplo, é diferente da distribuição de leite UHT. Além disso, iogurtes e alguns queijos precisam de refrigeração. Por isso, a transportadora deve conhecer os requisitos antes de buscar novos contratos.
Neste artigo, a Hazlo apresenta os principais fabricantes, os polos de produção, os caminhões utilizados e as exigências sanitárias. Também mostramos como transformar essas informações em uma estratégia para conquistar novos embarcadores.
Maiores laticínios do Brasil: tamanho do mercado
Segundo o IBGE, os laticínios sob inspeção sanitária receberam 27,51 bilhões de litros de leite cru em 2025. Isso representa um crescimento de 8,5% em relação a 2024.
Além disso, o ranking da ABRALEITE reuniu 17 empresas e cooperativas. Juntas, elas receberam aproximadamente 11 bilhões de litros de leite em 2025.
Portanto, o setor possui uma escala relevante. No entanto, o volume de leite não equivale à quantidade de contratos de transporte disponíveis. A transportadora precisa investigar as operações de cada empresa.
Ranking dos maiores laticínios do Brasil
O ranking da ABRALEITE permite identificar empresas com grande volume de recepção. Entre as participantes, Lactalis, Piracanjuba e Unium ocupam as primeiras posições.
| Posição | Empresa | Leite recebido em 2025 |
|---|---|---|
| 1º | Lactalis Brasil | 2,907 bilhões de litros |
| 2º | Grupo Piracanjuba | 2,078 bilhões de litros |
| 3º | Unium | 1,462 bilhão de litros |
| 4º | Nestlé | 1,035 bilhão de litros |
| 5º | CCPR | 807 milhões de litros |
Fonte: 29º Ranking ABRALEITE, com dados de 2025. Valores arredondados. A pesquisa considera o volume de leite recebido pelas participantes, não o faturamento. O levantamento é voluntário e não abrange todas as empresas.
Além desses grupos, existem outros fabricantes relevantes, como Italac, Vigor, Tirol, Tirolez e Alvoar Lácteos. Por isso, vale pesquisar também empresas que não participaram do ranking.
Para a transportadora, o melhor cliente nem sempre será a maior empresa. Uma indústria regional pode oferecer operações mais compatíveis com suas rotas e veículos.
Onde estão os principais polos de laticínios?
A localização das fábricas ajuda a organizar a prospecção. Entretanto, a produção de leite e a distribuição de derivados nem sempre ocorrem na mesma região.
Segundo o IBGE, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul lideraram a aquisição formal de leite em 2025.
| Estado | Participação na aquisição de leite | Oportunidades para investigar |
|---|---|---|
| Minas Gerais | 23,9% | Fábricas, captação de leite e distribuição de derivados |
| Paraná | 15,6% | Cooperativas, transferências e distribuição industrial |
| Rio Grande do Sul | 12,8% | Derivados, produtos refrigerados e transporte industrial |
Esses percentuais representam a aquisição de leite cru por estabelecimentos sob inspeção, não a participação na distribuição. Por isso, também é importante localizar centros de distribuição e unidades de processamento.
Por exemplo, uma transportadora que atende Minas Gerais e São Paulo pode investigar fabricantes com operações nesses estados. Assim, consegue priorizar corredores já atendidos.
Qual caminhão é necessário para transportar laticínios?
Nem todo laticínio precisa ser transportado em caminhão refrigerado. A exigência depende do produto e das condições de conservação.
Por exemplo, leite cru refrigerado exige coleta especializada. Já produtos como leite UHT fechado e leite em pó podem utilizar carga seca, quando suas especificações permitirem.
| Produto | Veículo indicado | Cuidados necessários |
|---|---|---|
| Leite cru refrigerado | Caminhão com tanque isotérmico apropriado | Higienização, coleta e temperatura |
| Iogurtes e leite pasteurizado | Baú refrigerado | Manutenção da cadeia fria |
| Queijos refrigerados | Baú refrigerado | Temperatura e integridade das embalagens |
| Leite UHT fechado | Baú de carga seca adequado | Limpeza, proteção e conservação |
| Leite em pó | Baú de carga seca adequado | Proteção contra umidade e contaminação |
Portanto, uma transportadora de carga seca também pode atender parte desse mercado. Entretanto, deve verificar a compatibilidade dos produtos antes de oferecer seus serviços.
Além disso, os produtos refrigerados exigem equipamentos capazes de manter as condições determinadas pelo fabricante. Um baú apenas isolado não substitui automaticamente um sistema de refrigeração.
Quais licenças e requisitos são necessários?
Antes de prospectar laticínios, a transportadora precisa verificar sua regularidade. Afinal, o transporte de alimentos está sujeito a requisitos sanitários e documentais.
Registro RNTRC
Empresas que realizam transporte rodoviário remunerado de cargas para terceiros precisam manter inscrição no RNTRC, conforme as regras da ANTT. Além disso, devem atender às obrigações de regularidade e seguros aplicáveis.
Licenciamento sanitário
A necessidade de licenciamento sanitário depende da atividade e da jurisdição. Por isso, a empresa deve consultar a Vigilância Sanitária competente antes de iniciar a operação.
Além disso, deve verificar os procedimentos exigidos para limpeza, conservação e prevenção de contaminação.
Coleta de leite cru
A Instrução Normativa MAPA nº 77/2018 estabelece requisitos específicos para essa atividade. Entre eles estão o tanque isotérmico, os equipamentos de coleta, a higienização e a rastreabilidade.
Entretanto, o SIF não é uma licença genérica para caminhões. Ele está ligado à inspeção de estabelecimentos de produtos de origem animal.
Motoristas precisam de treinamento especial?
A capacitação depende da operação realizada. Na coleta de leite cru, a IN MAPA nº 77/2018 exige treinamento básico em higiene e procedimentos de coleta para o responsável pela atividade.
Já no transporte de produtos acabados, a capacitação deve considerar os riscos da carga e os requisitos aplicáveis.
- Boas práticas de higiene no transporte de alimentos.
- Procedimentos de carga e descarga.
- Controle de temperatura, quando necessário.
- Prevenção de contaminação.
- Cuidados com embalagens e produtos perecíveis.
- Registro de ocorrências e rastreabilidade.
- Procedimentos de coleta, quando aplicáveis.
Vale destacar que transportar leite e derivados não exige, por si só, o curso MOPP. Esse treinamento se aplica a situações regulamentadas de transporte de produtos perigosos.
Portanto, a transportadora deve confirmar os requisitos específicos de cada operação.
Como prospectar os maiores laticínios do Brasil?
Depois de avaliar a capacidade operacional, chega o momento de identificar os potenciais clientes. Para isso, recomendamos definir o Perfil de Cliente Ideal, também conhecido como ICP.
O objetivo é selecionar fabricantes compatíveis com as rotas, os veículos e os serviços da transportadora. Além disso, é importante avaliar o potencial comercial de cada empresa.
- Produto: carga seca, refrigerada ou coleta especializada.
- Região: fábricas e CDs em corredores atendidos.
- Estrutura: veículos e equipamentos disponíveis.
- Frequência: potencial de viagens recorrentes.
- Decisores: responsáveis por Logística e Transportes.
- Rentabilidade: receita e margem esperadas.
Por exemplo, uma transportadora com operações de carga seca entre Minas Gerais e São Paulo pode pesquisar fabricantes de leite UHT e leite em pó.
Entretanto, não deveria assumir automaticamente uma operação de coleta de leite cru refrigerado. Essa atividade exige estrutura especializada.
Assim, o ICP ajuda a evitar oportunidades incompatíveis. Além disso, direciona o trabalho comercial para contas mais promissoras.
Como transformar novos embarcadores em oportunidades comerciais?
Uma lista de fabricantes não é suficiente para gerar novos negócios. A transportadora também precisa conhecer os decisores e desenvolver relacionamento.
Primeiro, é necessário identificar as empresas aderentes. Depois, a equipe comercial deve localizar os responsáveis por Logística, Transportes e Suprimentos.
Em seguida, Marketing e SDR podem apoiar a prospecção. Além disso, o CRM permite acompanhar contatos, reuniões e propostas.
Na Hazlo, essa abordagem faz parte da integração entre inteligência de mercado, Marketing B2B e Vendas.
Para aprofundar esse tema, veja nossos conteúdos sobre prospecção B2B para transportadoras, CRM para transportadoras e captação de novos embarcadores.
Vale a pena entrar no mercado de laticínios?
Os maiores laticínios do Brasil podem oferecer oportunidades para diferentes perfis de transportadoras. Entretanto, a escolha deve considerar a operação.
Empresas com veículos refrigerados podem avaliar determinados derivados. Já transportadoras de carga seca podem pesquisar produtos compatíveis com sua estrutura.
Além disso, fabricantes regionais e cooperativas também merecem atenção. O importante é identificar contas com potencial e necessidades reais.
Portanto, a melhor estratégia não começa pela quantidade de clientes prospectados. Ela começa pela escolha dos mercados certos.
Quer conquistar novos embarcadores para sua transportadora?
A Hazlo combina experiência em Logística e Transporte com Marketing B2B, inteligência comercial e tecnologia.
Assim, ajudamos transportadoras a definir o ICP, selecionar mercados prioritários e estruturar a prospecção de novos clientes.
Conheça a Hazlo para TransportadorasPerguntas frequentes
Quais são os maiores laticínios do Brasil?
No Ranking ABRALEITE 2025, Lactalis Brasil, Grupo Piracanjuba e Unium ocuparam as primeiras posições entre os participantes, por volume de leite recebido.
É obrigatório usar caminhão refrigerado para transportar laticínios?
Não em todos os casos. A necessidade depende do produto transportado. Leite UHT fechado e leite em pó podem utilizar carga seca quando suas especificações permitirem.
Uma transportadora precisa de licença sanitária?
É necessário verificar as exigências da Vigilância Sanitária competente. O licenciamento pode variar conforme a atividade e a localidade.
Motoristas precisam de treinamento?
Na coleta de leite cru, o responsável deve possuir treinamento básico de higiene e coleta conforme a IN MAPA nº 77/2018. Outras operações exigem avaliação específica.
Fontes e metodologia
Os dados de mercado são baseados nas publicações do IBGE e da ABRALEITE. Já os requisitos técnicos consideram as regras do MAPA e da ANTT.
- IBGE — Pesquisa Trimestral do Leite
- ABRALEITE — Ranking dos Laticínios
- MAPA — Instrução Normativa nº 77/2018
- ANTT — RNTRC
Os requisitos operacionais e sanitários devem ser confirmados conforme a carga e a localidade. As empresas mencionadas não possuem necessariamente contratações de transporte abertas.